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Quase 70% das pessoas que aplicam na poupança têm outros investimentos

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Só no mês de setembro, os brasileiros deixaram nada mais, nada menos que R$ 1 trilhão aplicado na caderneta de poupança. Mas não é de hoje que especialistas alertam que os rendimentos oferecidos por ela não são altos. Pelo contrário, descontado os efeitos da inflação, o investidor pode, inclusive, “perder” dinheiro ao deixá-lo na poupança. Uma notícia boa, no entanto, é que a maior parte dessas pessoas também aplica seu dinheiro em outros lugares.

Um estudo feito pela XP Investimentos mostrou que 69% das pessoas também possuem outros investimentos além da poupança. Desse total, 42% possuem mais um ou dois outros investimentos e 27% aplicam em três ou mais coisas além da caderneta.

“O resultado da pesquisa foi surpreendente, do meu ponto de vista. Porque mostra que esses investidores são pessoas que têm conhecimento de outros produtos e mesmo assim continuam ali na poupança. Mas, por outro lado, tem um aspecto positivo porque são pessoas que já têm abertura a outros tipos de investimento”, afirma Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP.

Segundo o levantamento, as pessoas que aplicam somente na poupança são as mais conservadoras e as que menos conhecem sobre investimentos. A XP Investimentos mapeou que a maior parte dessas pessoas tem de R$ 5 mil a R$ 20 mil na caderneta. Já entre quem tem mais um ou dois investimentos além da poupança, o nível de conhecimento a respeito do mercado financeiro é de básico a intermediário. Já entre os que têm três ou mais aplicações além da caderneta, são os que mais conhecem o mercado e têm valores mais altos aplicados na poupança.

A poupança nunca é boa?

Apesar das críticas, Dolle destaca que há, sim, um cenário em que a poupança pode ser uma boa opção. Isso acontece com quem tem dinheiro aplicado desde antes de 2012. Esses investidores aplicaram na chamada “velha poupança”, onde o rendimento anual da caderneta é de 6,5% (superior, inclusive, ao que o Tesouro Selic paga hoje). Quem investiu depois de 2012, no entanto, está na chamada “nova poupança”, onde o rendimento hoje é 70% da taxa Selic (hoje fixada em 2% ao ano).

O estudo mostrou que 34% das pessoas investem há mais de 11 anos na poupança, ou seja, estão na poupança que oferece bons ganhos. Outros 28% investem de seis a 10 anos (quem aplica entre oito e dez anos também teve a sorte de estar na “velha poupança”). Isso significa que, para alguns desses investidores, pode valer a pena continuar com a aplicação.

“Quando falamos contra a poupança, falamos muito da nova poupança, que é essa depois de 2012, quando mudou a regra. Para quem está na velha, que está ganhando 6,5% ao ano, pode fazer sentido continuar, principalmente se for para a reserva de emergência”, afirma a analista. Ela destaca, no entanto, que mesmo as pessoas que estão no modelo anterior da caderneta podem diversificar. “Muita gente tem R$ 20 mil, R$ 50 mil na poupança. Faz sentido tirar um pouco e colocar em outros produtos para ter rendimentos maiores“, sugere.

Por que investir na poupança?

Questionados sobre as razões pelas quais esses investidores ainda deixam seu dinheiro na poupança, 59% das pessoas citaram a facilidade, 50% apontaram a comodidade e 48% falaram sobre a liquidez. Outros fatores citados foram a barreira de entrada (46%), as taxas (38%), o risco (26%) – todos relacionados a outros tipos de investimentos – e o relacionamento com o banco (9%).

Dolle explica, no entanto, que é importante que essas pessoas conheçam outros produtos e saiam da “inércia” de ficar sempre no na mesma aplicação.

“Ouvimos bastante o argumento de que se tirar da poupança e colocar no Tesouro Selic a rentabilidade nem é tão maior. Mas tem muita coisa a mais. É sair da inércia de deixar o dinheiro ali parado, procurar mais informação, porque assim as pessoas vão conhecer outros produtos que podem ser até mais adequados para os objetivos delas”, afirma.

Ela lembra também que hoje é comum que corretoras (incluindo a XP) isentem os investidores de algumas taxas como as de abertura e manutenção de conta e as taxas de corretagem de produtos como os títulos públicos.

Fonte: Infomoney